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Os sonhos e a longevidade da alma (parte 1)


O Cavaleiro da Armadura Reluzente salva a Bela Princesa das garras do Dragão Malvado e os dois foram felizes para sempre.


Ou pelo menos era assim que acabavam quase todos os contos de fadas que nos ensinaram a sonhar na nossa infância. Nessa altura escutávamos as histórias com um brilho nos olhos, sofrendo quando os nossos heróis ficavam em apuros e dando pulos de alegria quando os seus sonhos, como por magia, se tornavam realidade.

 O cavaleiro e a espada (crédito da imagem: Hartwig HKD)

Os sonhos que nascem nessa época das nossas vidas acabam por crescer connosco, alguns evoluem e tornam-se mais reais, outros acabam por desaparecer ao deixar de nos servir.

No entanto, mesmo os sonhos mais maduros serão para sempre sonhos se não tivermos a coragem de lutar por eles.



Quando os sonhos são apenas refúgios para a mente

Os grandes sonhos nascem, muitas vezes, nas mentes mais insuspeitas. Nascem de quem vive preso a uma realidade asfixiante. E quanto mais asfixiante a realidade, mais exagerados os sonhos.

E quanto mais afastados da realidade, maior é o risco de que esses sonhos se tornem apenas em doces refúgios para a mente. Lugares nos quais nos sentimos protegidos de uma realidade angustiante, onde podemos viver livremente, enquanto, na realidade vagueamos pela vida como um barco à deriva.

Quando a vida acontece apenas nos sonhos acabamos por passar grande parte do nosso tempo a desejar que a sorte e a magia nos abençoem, como abençoaram, tantas vezes, os heróis dos nossos contos de fadas.

No fundo, estamos a desmarcar-nos da responsabilidade de concretizar esses sonhos, pondo tudo nas mãos dos outros e do Universo.

Alguns podem chamar esta atitude de realismo. Porque ao crescer somos encorajados a esquecer os nossos sonhos tolos de miúdos, para os substituir pela angústia de uma vida real.

Mas isso não é realismo. Isso é cobardia, é conforto, é segurança. E é por esses sentimentos que muitas vezes sacrificamos a nossa capacidade de sonhar com uma vida e um mundo melhores.


Existem sonhos grandes demais?

Um sonho só se torna irrealista quando desejamos guardá-lo só para nós, como forma de conforto e para apaziguar as nossas mágoas.

Não existem sonhos grandes ou sonhos pequenos, existem antes grandes ou pequenas pessoas. As grandes pessoas percebem que só a luta pelos seus sonhos lhes poderá trazer os mais doces desafios e as mais brilhantes vitórias.

Nenhum sonho deve ser reformulado para “encaixar” no mundo real. Um grande sonhador saberá que o mundo deverá, pelo contrário, “encaixar” no seu sonho.


No entanto, quando o sonho nos parece impossível de realizar devemos questionar-nos. Já que, muitas vezes, apenas sonhamos com situações e pessoas impossíveis porque não nos achamos merecedores do sucesso e da felicidade.

Para vencer essa paralisia provocada pelos desejos impossíveis é preciso perceber o motivo que se oculta por detrás dessa nossa visão de felicidade.

O desejo por fama, sucesso e dinheiro podem esconder uma profunda insegurança e uma baixa auto-estima. Mas a fama não traz felicidade, não traz amigos e nem sequer traz reconhecimento. O sucesso é passageiro e depende dos outros. Quanto ao dinheiro, sê sincero: quanto dinheiro precisas para ser feliz? A resposta é: quase sempre menos do que aquilo que desejamos. Se a felicidade para ti é viajar não precisas de ser milionário, precisas apenas de aprender a encontrar boas promoções e a definir diferentes prioridades na tua vida.

Os verdadeiros sonhos não se guiam pelos parâmetros da sociedade. São antes produtos da nossa alma.


Descobrindo os verdadeiros sonhos

Os verdadeiros sonhos não são os “algum dia…”, “se eu pudesse…” ou “quando tiver tempo…”. Os sonhos devem ser encarados como assuntos sérios, não como desejos efémeros de crianças e jovens tolos e inconsequentes.

Renegar esses sonhos em detrimento do conforto e da segurança é como retirar valor a nós próprios.
A sociedade, os carros, as casas, as viagens, as companhias ilustres passam a ser mais importantes que a nossa própria vida.

Para resgatar o nosso valor devemos sonhar em grande e devemos estar dispostos a abraçar as mudanças necessárias nas nossas vidas para concretizar esses sonhos. Porque uma vida sem sonhos é uma vida vazia, e uma alma sem sonhos é uma alma envelhecida, sem vigor e sem alegria.



Como encontrar esses sonhos? Bem, isso já é assunto para outro artigo.

Até lá, os comentários são todos vossos.
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O que fazer quando o nosso blogue deixa de crescer

Inspirado pelo artigo de Scott Young: Routine is the Enemy of Good


Começas um blogue e, nos primeiros meses, dedicaste a ele de corpo e alma. A cada artigo que escreves sentes que superas as tuas próprias expectativas e continuamente devoras as dicas doutros blogues de sucesso. A cada artigo que lês revês as tuas prioridades e continuas a inovar na arte de blogar na esperança de que as tuas palavras saiam dos limites do familiar e amigo e cheguem a outras pessoas e ao mundo lá fora.

Depois de um mês a blogar sentes-te um herói por ter chegado tão longe e orgulhoso de cada vez que pensas no teu pequeno projecto. Depois de dois meses continuas a sentir esse orgulho, mas começas a sentir uma pontada de tristeza pela falta de comentários e visitas. Depois de três meses notas já uma certa angústia a aflorar quando te deparas com o sucesso de outros blogues.



Boredom (créditos da imagem: Corrado Alisonno)

Aos quatro/ cinco meses a situação mantém-se, já tens alguns comentários e as visitas parecem crescer ligeiramente devido a todas as dicas que foste implementando ao longo do tempo. Mas, ao ouvires histórias de pessoas que tiveram sucesso em pouco mais de três meses, começas a pensar em desistir. Depois de seis meses de fraco crescimento deixas de te sentir motivado para continuar, olhas para os outros blogues e pensas que te falta algo para chegar ao topo... e se a situação não se alterar, em breve chegou o momento de atirar a toalha e dar por terminada a tua aventura.

Este sentimento de paralisia é conhecido por muitos blogueiros, mesmo entre aqueles que atingiram já um sucesso relativo. É como estar numa enorme sala de espera, aguardando que se abra a porta que nos vai levar a uma nova fase das nossas vidas.


Quando o sucesso não bate à porta...

Lidar com a falta de sucesso é um autêntico teste às nossas capacidades. No entanto é também uma oportunidade para aprender valiosas lições:


  • A ausência de sucesso não significa que fracassamos
Ouvir demasiadas histórias de sucesso pode levar-nos a criar expectativas demasiado altas. E quando o sucesso demora mais do que esperamos torna-se fácil perder a motivação.

Mas quem pode dizer-nos, com segurança, que fracassamos? Na verdade, ninguém, a não ser nós próprios. O poder de eliminar o nosso blogue e dar por terminada a nossa aventura está exclusivamente nas nossas mãos.


  • O sucesso vem dos outros e não de nós
Devemos aprender a separar a nossa necessidade pessoal de sucesso do processo de criação de conteúdos para o nosso blogue. Porque a falta de sucesso pode ser devastadora e pode até minar a nossa criatividade.

Por vezes, o sucesso demora mais do que esperamos porque precisamos ainda de aperfeiçoar os nossos talentos ou simplesmente porque ainda não nos deparamos com uma boa oportunidade para mostrar o nosso valor. Mas é sempre algo que não podemos controlar. Sozinhos não podemos alcançar o reconhecimento, ele parte sempre dos outros.


  • O sucesso não aumenta a nossa paixão e criatividade
Ser reconhecido por outras pessoas pode fazer maravilhas pelo nosso ego e auto-estima, mas não vai aumentar a paixão que sentimos ao blogar. O reconhecimento não tem que definir os nossos talentos, é apenas uma recompensa e não uma fonte de criatividade e motivação.



  • Alguns grandes talentos demoraram anos a ser reconhecidos
J.K.Rowling é uma escritora talentosa a gozar de um estrondoso sucesso, mas nem sempre foi assim. O sucesso duradouro requer experiência e maturidade, porque é necessário que estejamos preparados para lidar com ele.


A ausência de sucesso, seja em que área for, não deve diminuir o nosso valor. Porque, muitas vezes, é na sua ausência que superamos as nossas próprias expectativas.

Os elogios precoces podem diminuir a nossa motivação para continuar a inovar: levam-nos a parar os nossos esforços cedo demais, diminuindo a possibilidade de desenvolvermos o nosso verdadeiro potencial.


Enfrentando a ausência de sucesso

O primeiro ano como blogueiro deve ser encarado como um ano de aprendizagem. Por isso, enquanto não chega a merecida recompensa pelos nossos esforços devemos:


     1) Continuar a refinar a nossa arte

Ás vezes a sensação de não estarmos a evoluir é apenas aparente. Todas as horas perdidas, todos os artigos que não chegam sequer a ser publicados, todo o tempo “perdido” a ler e a comentar outros blogues estão apenas a aumentar a nossa experiência. Não deves ter medo de errar.

São esses erros em conjunto com a nossa experiência que vão construindo a nossa autoridade e credibilidade. Deve ser a nossa paixão a sustentar os nossos esforços e não o nosso sucesso.


     2) Procurar sempre inovar

Se estivermos constantemente a colocar desafios a nós próprios, a procurar ir para além dos nosso actuais limites, a abraçar dificuldades que actualmente parecem impossíveis de ultrapassar estamos a renovar a nossa motivação. Se realmente amas blogar, novos desafios podem ser como uma lufada de ar fresco para o teu blogue.


     3) Aprender a parar

Quando deixamos de desfrutar do nosso blogue e deixamos de sentir alegria ao escrever artigos significa que, interiormente sabemos que estamos a fazer algo que não nos agrada. Nesses momentos é muito importante aprender a parar, para podermos rever as nossas prioridades.

Ás vezes o tema do blogue deixa de nos preencher, às vezes ao tentar dar aos nossos artigos um tom mais “comercial” podemos sentir que nos estamos a afastar dos nossos princípios.

Steve Aitchison sugeriu um exercício interessante para descobrirmos os nossos princípios:

Numa página em branco vai escrevendo todos os comportamentos que não gostas nas outras pessoas. O contrário desses comportamentos e atitudes são as qualidades que mais admiras e, desde logo, são os princípios pelos quais reges a tua vida, quer sejas consciente disso ou não.


Exemplo: Não gosto de pessoas que adoram o som da sua própria voz e não sabem escutar. O que significa que admiro a capacidade de saber ouvir os outros e de respeitar as suas opiniões.


É a partir destes princípios que deves construir o teu blogue. Não a partir dos princípios que os outros dizem que deves adoptar. Se te conseguires manter fiel a ti próprio é muito mais fácil manter a motivação quando não crescemos tão rápido quanto gostaríamos.

No fundo, o nosso crescimento enquanto escritores e, como consequência, o crescimento dos nossos blogues dá-se mais por saltos irregulares do que de forma constante. O crescimento não é um processo lógico, é antes um caminho caótico e uma experiência desorganizada. Se amas blogar esquece o sucesso para já e limita-se a refinar os teus talentos, eventualmente uma oportunidade aparecerá e, nesse momento, estarás mais do que preparado para mostrar aquilo que vales.

E vocês, alguma vez pensaram em desistir do vosso blogue?

Mais uma vez, os comentários são todos vossos.
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7 dicas para crescer como escritor

Há um mito, amplamente difundido pela nossa sociedade, de que as grandes palavras fazem os grandes escritores.

Infelizmente (e isto é uma opinião pessoal) é com prosa complexa e confusa que se faz a grande escrita em Portugal, principalmente pelo punho de respeitáveis indivíduos que escrevem apenas para impressionar. Mas que ao fazê-lo se esquecem da nobre finalidade da escrita: aproximar as pessoas dos pensamentos íntimos do escritor.

Stephen King no seu livro: “On writing - a memoir of the craft” defende que a escrita é uma forma de telepatia. Tem o poder fabuloso de nos fazer usar a nossa própria imaginação. Poder que, até agora, nenhum outro meio conseguiu alcançar.

The harvest writer (créditos da imagem: John O'Nolan)

A televisão e a internet apoiam-se na imagem e entopem os nossos sentidos com sensações fabricadas. Na escrita o autor transmite os seus pensamentos mas não pode, nem deve, controlar os do leitor. Uma vez que, quando a mensagem alcança a mente do leitor as palavras ganham vida própria e o autor torna-se irrelevante.

Escrever para impressionar, pelo contrário, tem o poder de afastar as pessoas. Talvez a grande maioria pense que essa escrita com palavras “caras” seja sinónimo de talento e de superioridade, mas o grande problema desse tipo de escrita é que não chega a ninguém, e quando a escrita não chega à mente de outras pessoas é como se a obra nunca chegasse a existir.

Podem discordar, mas acredito que a maioria dos escritores dirá que escrever para o vazio é o mesmo que uma gravidez sem parto. Escrever não significa viver em isolamento, significa ter vontade de chegar às mentes e corações das pessoas.


Como chegar à mente das pessoas?

A escrita é uma arte quase impossível de ensinar, e é um caminho que se torna duro para quem deseja apenas o sucesso e a fama.

Claro que, actualmente, qualquer pessoa pode escrever um livro, não é a primeira vez que vemos apresentadores de programas da manhã a fazê-lo. Mas nem todos temos a capacidade e a paixão necessárias para nos tornarmos escritores. Posso sempre dar umas dicas e mostrar-te novos caminhos e direcções mas, como disse Morpheus: “És tu que tens que abrir a porta”.

Se amas escrever e sentes que o farias mesmo sabendo que podes nunca ser bem sucedido aos olhos do mundo, tens verdadeiramente a alma de um escritor. Portanto, vou mostrar-te um caminho:

     1) Faz da leitura uma parte importante do teu dia

Um conselho básico, repetido até à exaustão por muitos escritores e blogueiros, no entanto, é um conselho que nunca saí de moda e é fundamental para melhorar a nossa escrita. Os grandes escritores são, por norma, grandes leitores. E como disse Stephen King: até os maus livros nos podem ensinar sobre escrita, porque nos tornam conscientes daquilo que devemos evitar.

Encara a leitura como uma oportunidade de aprendizagem. E aprende a ler de forma consciente.


     2) Estuda a gramática

Conhecer bem a gramática do nosso idioma tem dois objectivos principais: saber estruturar as frases de uma forma que seja compreensível para os leitores e, mais importante ainda, saber que regras podemos quebrar para enriquecer os nossos textos.

Os escritores passam a vida a quebrar regras da gramática, mas o que os distingue é o facto de o fazerem de forma consciente. E são esses erros conscientes que nos ajudam a descobrir o nosso próprio estilo.

José Saramago tinha uma forma brilhante de “brincar” com o vocabulário. Mas, ao contrário doutros autores que apenas pretendem exibir a sua superioridade, Saramago colocava estas “brincadeiras” ao serviço da história e do leitor.

Para dúvidas sobre gramática recomendo: Ferramentas para a língua Portuguesa On-line.


     3) Mantém-te simples

Depois de obtermos o aspecto bruto dos nossos primeiros rascunhos é necessário fazer uma limpeza geral. Esta deve passar por eliminar palavras desnecessárias, substituir palavras complexas por sinónimos mais simples, evitar escrever na voz passiva (retira força às tuas palavras) e evitar o excesso de advérbios.

Os advérbios são usados para modificar o significado de verbos, adjectivos e de outros advérbios. Em frases do género: “O João olhou duramente para o seu adversário” o verbo que implica uma acção perde a sua força devido ao advérbio utilizado. É quase sempre preferível usar apenas verbos simples de acção para manter o leitor activo e interessado.


     4) Faz da escrita algo natural

Escrever muito é outro conselho fundamental e repetido até à exaustão. Mas existe algo neste ponto que quero realçar: não escrevas apenas quando te sentes inspirado.

A inspiração é como uma fada madrinha caprichosa que raras vezes aparece quando desejamos. Em vez de ficares à espera que ela apareça escreve, insiste mesmo quando achares que já se esgotaram as tuas palavras. Porque, mais tarde ou mais cedo, depois de 5, 10, 20, 100 páginas podes encontrar algo fabuloso.

E isto é algo que deves aceitar nesta jornada para refinar os teus talentos. Se fores capaz de persistir mesmo quando tudo te parece negro como um breu será muito mais fácil continuar quando a fada madrinha descer do seu pedestal para abençoar as tuas palavras.


     5) Escreve como falas

Ou pelo menos como falarias numa situação ideal. Porque quando lemos ocorre um processo designado de sub-vocalização. Isto significa que, durante a leitura estamos a “ouvir” mentalmente a nossa própria voz a recitar a palavra escrita.

Portanto, ler os nossos textos em voz alta ajuda-nos a perceber se a nossa escrita parece artificial. É também uma forma fabulosa de encontrarmos erros e descobrirmos formas de simplificar a escrita para facilitar a rapidez de leitura e melhorar a compreensão do texto.


     6) Acima de tudo desfruta do processo

Escrever sem ver reconhecidos os frutos do nosso trabalho costuma ser uma experiência penosa e desagradável. Todos passamos por esses momentos em que a nossa escrita parece não evoluir e começamos a questionar os nossos talentos.

Por isso é importante que aprendas a desfrutar da escrita, escreve para ti e para aqueles estão perto de ti. Se fores suficientemente bom para o mundo o sucesso virá naturalmente, até lá deves persistir nos teus esforços e desistir da tua necessidade pessoal de sucesso. Se encontrares a paixão e a felicidade na própria escrita, o caminho para refinares os teus talentos deixará parecer tão sombrio.


     7) Escreve a pensar em ti, edita a pensar nos outros

Quando nasce uma ideia o essencial é passá-la para o papel. Nesta fase, não importa se o texto tem uma sequência lógica, se está compreensível ou se tem o potencial de agradar a muitas pessoas. O importante é que passes tudo o que surgiu na tua mente para o papel ou para o processador de texto.

Depois de “materializares” as tuas ideias tens que certificar-te que entendes tudo o que escreveste e deixar o texto repousar. Quando te sentires emocionalmente distante da tua criação, podes começar a organizar as ideias de forma a que possam ser compreendidas pelos teus leitores.


Espero que as dicas tenham sido úteis. Mas tenho a certeza que este artigo ficará mais rico se estiverem dispostos a partilhar as vossas ideias.

No próximo artigo escreverei sobre como lidar com os períodos de paralisia de crescimento nos nossos blogues.

Até lá os comentários são todos vossos.


Onde comprar o livro do Stephen King "On writing: a memoir of the craft":

Para Portugal                                 Para Brasil
        
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O pequeno Guia de utilização da Amazon

Queria agradecer ao meu fantástico irmão, se não fosse por ele nunca teria conhecido a Amazon nem percebido o seu funcionamento (e truques também!).

Em 1995 um livro era enviado da garagem de Jeff Bezos em Seatle para aquele que seria o primeiro cliente da Amazon. Actualmente, com cerca de 31 mil empregados (2010) e com lucros anuais na ordem dos 360 milhões de euros (cerca de $822 milhões de reais - dados de 2007 pela Yahoo), a Amazon é uma das empresas mais influentes e rentáveis de comércio electrónico.

Jeff Bezos (créditos da imagem: Bussiness Insider)

Com sede em sete países (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Japão e China), a Amazon tem crescido a um impressionante ritmo pouco afectado por distâncias e fronteiras. Um crescimento muitas vezes apelidado de escandaloso, que semeou o terror entre os comerciantes que hesitam em fazer a migração para o mundo digital.

No entanto, em países como Portugal e Brasil, a Amazon permanece nas sombras. Uma vez que, para além das barreiras óbvias do idioma inglês (e pelo facto de ser muito raro a venda de produtos em português) existe ainda o receio a realizar compras com cartão pela internet e a falta de informação sobre o funcionamento da loja online.

Comecei a comprar livros e outros produtos pela Amazon à cerca de ano e meio e desde então nunca me arrependi. Só quando partilhei essa minha experiência com amigos e conhecidos percebi o nível de desconhecimento sobre este gigante do comércio electrónico, mesmo entre aqueles que navegam habitualmente pela internet.

Mas antes de passar à explicação sobre o funcionamento desta loja é importante esclarecer uma importante questão...
Quais as vantagens de comprar pela Amazon se o posso fazer numa loja perto de mim?

A plataforma da Amazon reúne uma grande variedade de produtos, no entanto, para mim as vantagens encontram-se principalmente na compra de livros, DVD’s (muitos com legendas em português) e outros produtos electrónicos. As seis principais vantagens são:

1 - Acesso a conhecimentos mais actualizados

Excepto quando se trata de estrondosos bestsellers internacionais, os livros de boa qualidade (tanto técnicos como para entretenimento) demoram bastante em ser traduzidos e a chegar à prateleiras das livrarias nacionais. O que significa que, se nos queremos manter a par das tendência e da evolução de certas áreas de conhecimento devemos cultivar o inglês como segunda língua.

Com isto não pretendo desvalorizar o nosso idioma e cultura maternas, no entanto, para sermos capazes de acompanhar o ritmo de evolução global e de inovar nas nossas áreas de trabalho devemos reconhecer que a grande maioria da literatura de valor se encontra em inglês.
2 - Comunidade que partilha experiências

Ao contrário de outras plataformas de comércio electrónico os clientes da Amazon formam uma comunidade bastante unida. Por cada produto comercializado existem por vezes dezenas ou mesmo centenas de comentários e criticas por parte dos usuários, facilitando a busca de produtos que correspondam às nossas expectativas.
3 - Bons preços

Os livros usados comercializados pela Amazon chegam a ser vendidos por 0,70 euros (cerca de $1,6 reais), excluindo gastos de envio. No entanto, existem alguns descontos que podemos aproveitar para diminuir estes gastos (falarei deles mais adiante) e, no final, acabamos por poupar, uma vez que as versões traduzidas de certos livros são normalmente muito mais caras do que as obras originais.
4 - Empresa confiável

A marca e a página web da Amazon são bastante seguras e fiáveis. Para realizar a compra é necessário usar o cartão multibanco (normalmente é debitada da conta uma reduzida taxa pela transferência internacional), no entanto, se evitarmos usar redes públicas de internet e usarmos sempre o nosso computador pessoal este método é perfeitamente seguro.
5 - Grande apoio ao cliente

Nunca tive razão de queixa uma vez que as encomendas chegam sempre dentro do prazo previsto. No entanto, encontrei em diversos forúns que no caso da encomenda demorar mais do que o esperado basta contactar a Amazon que eles reenviam o pacote sem cobrar mais por isso. Como resultado, muitas pessoas recebem encomendas a dobrar e acabam por vender por bom preço metade dos produtos adquiridos.
6 - Organização

A organização da página web (que no fundo funciona como uma base de dados) facilita bastante a procura de produtos. É possível procurar por temas, autor, título da obra (completo ou usando apenas uma palavra). A Amazon organiza também os produtos em listas, pondo em destaque os produtos com os maiores descontos e os mais vendidos.

Além disso ao visualizar a página de um determinado produto aparecem sempre recomendações, tendo em conta os produtos comprados juntamente com aquele que desejamos.
Como comprar pela Amazon?

Para os residentes em Portugal as compras devem realizar-se através da Amazon.co.uk e para os habitantes do Brasil através da Amazon.com. Se nunca usaste este serviço antes o primeiro a fazer é criar uma conta. Para o fazer começa por clicar em “Start here” na parte superior direita da página.

Para começar o registo é necessário escrever o e-mail através do qual queres ser contactado (portanto não tem sentido dar um e-mail falso). E clicar na opção “Sign In”. Nesta etapa do registo a Amazon destaca já que o servidor onde são depositadas as nossas informações é perfeitamente seguro.

O resto do processo é bastante fácil e intuitivo. Depois de criares a tua conta podes começar a procurar produtos. Imagina que não tens nenhum livro em mente e por isso decides ver os mais vendidos. Para isso basta clicar no separador que diz “Books”.

Nesta página aparecem os livros em destaque. Para encontrar os bestsellers basta ir descendo e estar atento ao menu do lado esquerdo da página até encontrares o “Top 100 Bestsellers” ou “Best of 2010” (um separador especial nesta época natalícia). Como podes observar, neste momento, o livro de culinária do Jamie Oliver ocupa o primeiro lugar da lista dos mais vendidos.

Clicando no título do livro obtemos a página dos detalhes. Podemos ver que, até à data, a classificação média do livro é de 4,5 estrelas e que existem 189 “reviews” (comentários, opiniões) do produto. Se quiseres saber a opinião dos outros clientes basta clicar no número. Nessa página estará em destaque a crítica positiva e a negativa mais úteis, que muitas vezes me ajudaram a decidir se vale ou não a pena comprar o produto.

Mas voltando à página de detalhes do livro, encontram-se em destaque os preços do produto: a vermelho os exemplares novos e a laranja os usados. Esta edição está apenas disponível em capa dura (“hardcover”) que geralmente é mais cara que as edições em papel (“paperback” - ideais para quem gosta de poupar).

Muitas vezes acontece que os exemplares mais novos são os mais baratos, como é o caso. Isto pode acontecer quando os livros usados foram adquiridos a um preço superior ao actual e ainda se encontrem em muito bom estado.

Em “Seller Information” podemos ver que o vendedor pode ser a própria Amazon ou uma livraria independente. Para encomendas para Portugal, quando o volume de compras é igual ou superior a 25£ (cerca de 29 euros) e o vendedor de todos os produtos é a própria Amazon, a empresa oferece os gastos de envio. O que significa que se comprarmos 4 produtos que juntos valem 25£ mas num deles o vendedor não for a Amazon esta promoção deixa de ser válida.

Em produtos de vendedores independentes é sempre necessário pagar os gastos de envio, se comprarmos dois produtos da mesma livraria os gastos reduzem um pouco, mas não de forma significativa. E quando compras dois produtos de duas livrarias diferentes é necessário pagar os gastos de envio separadamente.

Tanto para Portugal como para o Brasil é necessário procurar, na página com os exemplares dos diversos vendedores, um vendedor que faça entregas internacionais (que na parte da informação sobre o vendedor apareça "International & domestic delivery rates"). No caso do livro do Jamie Oliver é o “bookfinder” que faz o preço mais barato com entrega internacional (o sexto na lista no dia em que realizei a consulta).

Clicando no botão “Add to Basket” somos direccionados para uma página com outros produtos recomendados. Se terminaste as tuas compras por agora basta clicar no botão “Proceed to Checkout” do lado esquerdo da página para iniciar o pagamento ou no botão “Edit Shopping Basket” se quiseres eliminar produtos.

Na primeira etapa do pagamento é necessário preencher os campos com a tua morada e clicar em “Dispach to this Adress”. De seguida é necessário seleccionar o método de pagamento: com cartão de crédito ou de débito. E terminar a compra.

Prontamente a Amazon informa da data estimada para a entrega da encomenda.

O processo de compra é incrivelmente simples de perceber. A página é também de uma navegação bastante intuitiva. Apesar de ainda não ter sede em Portugal nem no Brasil compensa comprar livros, jogos e mesmo DVD's pela Amazon devido aos seus preços bastante competitivos.
Depois deste tutorial ficaram com dúvidas? Alguma vez compraram através da Amazon?
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A busca pela sabedoria interior

Este artigo é a continuação d'O valor da solidão.

Acredito que para muitas pessoas seja difícil aceitar que desconhecemos muito do funcionamento da nossa mente. Mas a verdade é que ela se torna mais acessível quando nos dispomos a ouvir.

A sua voz chega-nos de muitas formas diferentes: através de sonhos, de intuições, de impulsos. Chega-nos também quando abrimos um livro qualquer ao acaso e lemos uma passagem para encontrar respostas à nossas dúvidas, ou quando conversamos com amigos. E por vezes, mesmo depois de já termos lido ou ouvido aquela frase dezenas de vezes algo nos salta à vista e atinge-nos como um raio, tornando a realidade mais clara para nós.

créditos da imagem: Taylor MacBride

Essa explosão de claridade acontece porque algo dentro de nós ressoa com aquilo que acabamos de ler ou ouvir. O que significa que para encontrar aquilo que é verdadeiramente importante devemos encontrá-lo primeiro dentro de nós. Porque a crença de que os maiores tesouros são físicos por vezes leva-nos a adiar de forma constante a nossa felicidade, até não existir nada mais nas nossas vidas do que a obsessão pela conquista dos nossos sonhos.

A busca interior é a mais importante de todas e a maior aventura na qual poderemos embarcar. No entanto, não devemos cair no extremo do isolamento, porque a busca interior é uma forma de crescimento para tirar maior proveito desta vida, não um substituto da própria vida.

Onde deve começar a busca interior?

Raramente por onde nós queremos. Na exploração dessa sabedoria interior devemos adoptar duas atitudes essenciais:
  • A primeira é aprender a escutar;
  • E a segunda, largar a necessidade de controlar a direcção dessa exploração.
A sabedoria interior é sempre superior às nossas expectativas. Isto ocorre porque acreditamos que os nossos pensamentos superficiais nos definem e acabamos por esquecer a imensidão da nossa mente e a nossa frágil compreensão do seu funcionamento.

Por isso, devemos deixar que a nossa mente nos leve aos sítios que temos que ir, não nadar contra a corrente para chegar aos sítios onde achamos que devemos ir.

Um exemplo disso é quando tentamos, em desespero, lembrar algo que esquecemos. E, por muito importante que essa informação seja, raras vezes somos capazes de a recordar. No entanto, quando desaparece essa pressão damos por nós a lembrar todos os detalhes que antes não conseguíamos evocar.

Mas afinal o que é a busca interior?

Não é uma forma de visualização ou de sonho consciente, nem sequer é um tempo para rever de forma repetitiva os nossos pensamentos e as nossas vidas. Numa frase: explorar é meditar e é também a ausência de pensamento.

A meditação, principalmente no mundo ocidental, tem sido vista como algo esotérico e estranho, o refúgio dos fracos e marginalizados. Ainda hoje para a maior parte das pessoas é motivo de chacota e uma grande perda de tempo.

Não quero aqui perder-me na enumeração dos benefícios comprovados da meditação, existem outros que o fazem muito melhor do que eu. O que quero realçar sobre este tema é que a meditação é importante porque nos torna conscientes de que somos superiores aos nossos pensamentos e que somos responsáveis pelas nossas escolhas e pelo rumo das nossas vidas.

A meditação é uma prática que marca pela sua simplicidade. Em palavras de Osho a meditação começa por…
…“estar separado da mente, como uma testemunha. Esta é a única maneira de te separares de qualquer coisa. Se estiveres a olhar para a luz, naturalmente uma coisa é certa: tu não és a luz, és aquele que está a olhar para ela.
Se estiveres a olhar para as flores, uma coisa é certa: tu não és a flor, és o observador. A observação é a chave da meditação. Observa a tua mente.”

Se quiseres experimentar meditar aconselho uma rotina simples (a minha rotina):

  1. Senta-te numa posição confortável, pode ser de pernas cruzadas ou numa cadeira que te permita manter uma postura correcta;
  2. Fecha os olhos e respira consciente e profundamente repetindo mentalmente a palavra “relaxa” até te sentires relaxado;
  3. Quando te sentires fisicamente relaxado inicia a contagem decrescente de 20 até 0. E cada número sente-te relaxar cada vez mais profundamente;
  4. Neste estado os ruídos não devem incomodar-te, tenta esvaziar a tua mente de qualquer pensamento. Isto no inicio é impossível, por isso, de cada vez que surgir um pensamento não o julgues nem tentes justificá-lo ou correr atrás dele, simplesmente respira fundo e aceita-o.
Para começar bastam 10 minutos por dia. E se o fizeres correcta e regularmente cedo sentirás os benefícios: uma mente mais calma e consciente.

E vocês, alguma vez praticaram meditação? Contem-nos a vossa experiência.
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O valor da solidão

... é das coisas que mais me assusta, estar sozinha a ouvir o som da minha própria voz.

Poderia começar hoje mesmo a distribuir inquéritos para perceber o que é a solidão e tenho a certeza que nunca o entenderia completamente. Porque a solidão não é só a ausência dos outros, a solidão é também quando conseguimos estar mais perto de nós e de Deus.

E assim como não existem duas pessoas iguais, não existem dois conceitos de Deus iguais e por isso a solidão torna-se algo muito diferente para cada um de nós. Impossível de definir.

"Todos os seres humanos têm medo da sua própria solidão.
Mas apenas na solidão nos podemos conhecer completamente,
e aprender a lidar com nossa eterna solidão."- Han Suyin 
(créditos da imagem: Leonard John Matthews)

No entanto, acredito que existem claramente dois tipos de solidão. Aquela solidão coberta de mágoa, à qual tentamos escapar enchendo os nossos dias com actividades inúteis que nos impedem de pensar profundamente sobre o sentido das nossas vidas, e o tipo de solidão propositada. E é sobre esta última que desejo falar.

Quando reservamos propositadamente um tempo a sós, longe do mundo, dos outros e de qualquer tecnologia experimentamos sentimentos bem diferentes do comum vazio da solidão acidental. Mas na verdade, ficar sozinho(a) é bem mais difícil do que aquilo que à primeira vista nos parece.


Devemos preferir o isolamento à interacção social?

Só nos últimos anos se tornaram visíveis movimentos que defendem o valor do silêncio e da solidão propositada (pelo menos no mundo ocidental). Mas antes disso a solidão era algo muito negativo reservado apenas a pessoas que desejavam afastar-se da sociedade.

Quando pensamos numa pessoa solitária normalmente pensamos numa pessoa marcada pela tristeza e pela mágoa. Pensamos em alguém que não escolheu viver assim, mas foi uma vítima das circuntâncias da vida. Uma imagem que persiste até aos dias de hoje especialmente devido à sua repetição excesiva nos meios de comunicação e nas obras de ficção como séries, novelas e filmes.

O solitário sempre foi o estranho e marginalizado. Mas penso que chegou o momento de mudar a imagem que temos da solidão. E obviamente, não escrevo sobre a solidão permanente, escrevo sobre uma solidão que devemos aprender a desfrutar na medida certa.


O que significa a solidão...

Acredito que grande maioria das pessoas não é adepta a reservar uns momentos do seu dia para realizar uma espécie de retiro interior. Porque a maioria de nós tem tanto medo do seu interior como dos perigos do mundo cá fora.

Assim, o mais normal é agarrarmo-nos à televisão e à internet quando não temos nenhum programa em especial para o nosso dia. Esses dois meios ofuscam quase completamente a nossa capacidade de pensar profundamente sobre nós e sobre a vida. E constituem a forma mais eficaz de evitarmos a solidão completa e a possibilidade de ouvirmos a nossa própria voz.

Essa voz interior tem caído no esquecimento à medida que prosperam as actividades que ocupam os nossos tempos livres ou as engenhocas que nos impedem de pensar no que quer que seja. Essa voz tem sido conhecida por muitas formas diferentes ao longo da história, para o antigos eram as vozes dos deuses que lhes falavam através de sonhos e perságios, para outros a voz do Universo, em tempos recentes começamos a perceber que essa voz nos pertence, mas ao mesmo tempo parece ter mais sabedoria que nós próprios. Como acontecia com o grilo, a consciência de Pinóquio.

Na minha opinião essa voz que por vezes ouvimos quando menos esperamos é a voz do nosso subconsciente.

A nossa mente é imensa e, por isso, quase nunca somos plenamente conscientes da sabedoria que albergamos dentro de nós. O nosso cérebro funciona por isso como um software intuitivo que faz a ponte entre a nossa consciencia e o abismo profundo que habita dentro de nós.

Existem ainda muitas perguntas por responder acerca da mente e do cérebro, acerca da própria consciencia humana. Mas algo que devemos aceitar é que aquilo que somos transcede a nossa rotina, as nossas preocupações e mesmo os nossos desejos.

Uma verdade que pode ser assustadora para muitas pessoas, já me assustou a mim. É como dividir a nossa casa com um perfeito desconhecido que parece conhecer-nos melhor que nós próprios algum dia seremos capazes de conhecer.

A solidão permite-nos limpar todo o lixo que bloqueia o nosso pensamento (consciente) para podermos encontrar o caminho para essa sabedoria perdida. No próximo artigo escreverei sobre as melhores formas de tirar partido sobre dos momentos em que estamos sós. Até lá espero os vossos comentários.
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Agressividade: um escudo ou uma arma?

A agressividade ou combatividade (como queiram chamar-lhe) é um sentimento intenso, daqueles que devia trazer o aviso de “manusear com cuidado” em enormes letras vermelhas. No entanto, tenho a impressão que muitas pessoas consideram que a agressividade é uma característica unicamente masculina. Uma mentira na minha opinião. Algumas mulheres são capazes de uma violência psicológica tão intensa que que preferia voltar a vestir o meu macacão e levar uns murros nas lutas que tinha com os rapazes na minha infância (quando não existia o preconceito de “eu não bato nas meninas”) do que enfrentar os seus acessos de fúria.

Mas tanto o excesso de agressividade como a ausência dela não são positivas. Suponho que tenha aprendido isso da pior maneira. Na minha adolescência não tinha a mínima tendência para me irritar com os outros. Tentava ser o mais prestável e simpática possível, pensava que só assim poderia fazer amigos de verdade.

Agressividade (fotografia de Chapendra)

Como é óbvio a ausência de agressividade enfraqueceu a minha personalidade. Suponho que muitos possam discordar. Mas a verdade é que o excesso de bondade e a anulação do eu (ao calarmos as nossas opiniões) apenas levam ao sofrimento e isolamento. Embora na altura isso me tenha trazido muitas mágoas, o que ganhei em troca fez com que eu nunca guardasse raiva ao rancor desses anos mais escuros da minha vida (espero escrever um artigo sobre o tema muito em breve).

Por isso, desde essa época da minha vida percebi que um pouco de agressividade é indispensável nesta vida. É uma forma de pôr um travão quando as pessoas passam o limite da decência e começam a explorar o nosso bom coração.


O que é a agressividade?

A agressividade contudo não é uma emoção, é uma consequência de uma emoção. Num livro que li recentemente: “O espírito da Igualdade” de Wilkinson e Pickett (leitura recomendada: podes comprar na Fnac ou na Amazon), percebi que a maioria dos crimes violentos acontecem pelas mãos de pessoas que tentam reaver a sua honra ou dignidade depois de terem sido delas despojados em situações humilhantes.

A agressividade e a honra andam sempre muito próximas. Principalmente nas camadas mais pobres da sociedade, a violência é quase sempre uma forma de protesto, porque na falta de outro tipo de poder somos forçados a usar aquele que nos sobra. E desconfio que uma solução pacífica estaria fora de questão para a maioria das pessoas em casos de extrema humilhação.

O acto de agredir é uma forma de recuperarmos o que é nosso por direito, e uma forma de defendermos a nossa dignidade e honra. Por isso, quando somos insultados ou criticados injustamente tendemos a responder com a mesma intensidade e intenção de magoar. O agredido passa então a agressor e, apesar de um pouco de agressividade ser indispensável para nos protegermos, há que saber quando quebrar o círculo.

No fundo não existe nenhum mau da fita neste cenário. Todos nós, nalguma fase da nossa vida, agredimos alguém verbal ou fisicamente e sofremos o mesmo destino nas mãos de outras pessoas. Na realidade, muitas vezes uma agressão é um acto inconsciente e involuntário. Por vezes, numa conversa dizemos algo que não sentimos apenas para magoar a outra pessoa, e acabamos por nos aperceber do efeito das nossas palavras tarde demais.

Por isso, a todos os filósofos que prosperam ao expor a podridão da sociedade actual tenho pena de dizer que a sociedade actual não está a perder por completo os seus princípios. Na maioria das vezes apenas somos vítimas da nossa própria inconsciência e a agressão é muitas vezes a única forma que conhecemos para recuperar um pouco do nosso poder e honra dentro de uma sociedade cada vez mais conformada com o ritmo das coisas.

Aprender com a agressividade...

O desenvolvimento da inteligência emocional não se trata de mudar a nossa personalidade. Trata-se, pelo contrário, de mudar a forma como nos vemos a nós próprios e a forma como encaramos o nosso mundo. E, na maioria das vezes as mudanças que desejamos para os outros nem sempre são aquelas que essas pessoas necessitam.

Aprender a lidar com emoções difíceis só é possível se te aceitares por completo como és actual. Não fazer isso seria como te rejeitares a ti próprio, e seria a receita certa para uma vida cheia de frustração e insatisfação. Se não te aceitares podes percorrer o mundo inteiro que tudo o que alcançares te parecerá insuficiente.

Portanto, em vez da mentalidade do: “quero saber o que estou a fazer de errado na minha vida” espero que possas, com as minhas palavras mudar para a mentalidade do: “o que é posso fazer com aquilo que possuo para alcançar uma vida melhor”.

Aprender a conduzir e a mergulhar foram talvez as situações que mais testaram os limites da minha paciência e a minha capacidade de permanecer calma em situações de grande tensão. Só quando comecei a conduzir me apercebi da barbaridade dos comportamentos dos portugueses nas estradas. Insultar o condutor do lado é possivelmente o acto mais comum dentro dum veículo no meio do trânsito, especialmente se o condutor for jovem ou do sexo feminino. Suponho que as jovens mulheres são capazes de confirmar por si mesmas este facto.

Na realidade, a pressão nas estradas portuguesas é tão grande que os jovens condutores depressa tendem a adoptar os comportamentos insanos dos condutores mais experientes, e, em breve estarão a buzinar e a vaiar o condutor que se esforça por conduzir com cuidado na selva urbana. Porque a pressão social se torna demasiado forte em muitas áreas da nossa vida, tendemos a imitar os comportamentos dominantes na sociedade onde estamos inseridos.

Não existe nenhuma receita mágica para controlar a agressividade, nem a nossa nem a das pessoas com quem interagimos. Mas percebi que encontrar as razões por detrás dos nossos comportamentos agressivos é um excelente sítio para começar.

Nem sempre as nossas razões para reagirmos com agressividade são óbvias, principalmente para nós próprios. Suponho que por vezes as verdadeiras razões nos assustam demasiado. Mas é preciso forçar. Só quando nos sentamos e nos tornamos disponíveis para ouvir os nossos medos é que podemos perceber por completo a origem das nossas atitudes.

Não é em um só dia que ficaremos a perceber tudo, mas a verdade é que a explicação mais simples costuma ser a mais verdadeira. Os sentimentos que mais comummente desencadeiam reacções agressivas são:

  • Insegurança
Tendemos a reagir de forma agressiva quando alguém põe em causa as nossas capacidades. Especialmente quando nós próprios temos pouca auto-confiança. Pessoas muito agressivas costumam ser pessoas muito inseguras, por isso a agressão é uma forma de exprimirem o desejo de serem reconhecidas.

  • Injustiça
Quando sentimos que não recebemos ou que nos retiram algo que é nosso por direito, muitas vezes a única forma que temos de recuperá-lo é sendo agressivos.

  • Impotência
Quando deixamos de ter qualquer controle sobre as nossas vidas a violência torna-se numa forma de reivindicar aquilo que é nosso por direito.


  • Humilhação
Suponho que já todos nós passamos por situações humilhantes. Ser o alvo de gozo e críticas é uma forma de agressão capaz de quebrar a personalidade de muitas pessoas. O mais normal é que depois de repetitvas situações humilhantes as pessoas acumulem raiva e angústia que, mais tarde ou mais cedo, acabam por se manifestar em comportamentos agressivos.

Portanto, a agressividade não só é um escudo das nossas emoções, como é uma arma muito poderosa. Mas para tirarmos o máximo partido daquilo que agressividade pode fazer por nós é necessário que percebamos por completo as nossas motivações.

Essa compreensão não só nos permite usar essa força de forma mais moderada e eficaz para conseguirmos aquilo que queremos da vida, como nos ajuda a lidar melhor com a agressividade dos outros.

Aguardo os vossos comentários.
Até breve
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