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A arte de blogar

Na última entrada recomendei a todos os novos autores que criassem um blog. No entanto, acredito que essa recomendação é válida para todos os que sentem a necessidade de comunicar e interagir com outros usuários da blogosfera. E o próximo passo na criação de um blog será, naturalmente:

Saber sobre que assuntos blogar...

Em primeiro lugar gostaria de destacar que blogar é essencialmente um processo de experimentação. Por isso mesmo, as dicas de terceiros podem ser importantes para nos colocar no bom caminho mas o essencial é mesmo experimentar.

O que quero eu dizer com isto? Bem, blogar é similar a uma criação artística. Vamos tomar como exemplo o desenho e a pintura:

Para ser um artista reconhecido é necessário estudar as técnicas e a história da arte, praticar imenso estas técnicas e aprender a observar. No entanto, as nossas obras nunca ganharão o devido reconhecimento se não formos capazes de: desenvolver o nosso próprio estilo.

E para isso é necessário arriscar! Tanto nos conteúdos como na maneira de contá-los e apresentá-los à tua audiência. Mas, como o pintor, primeiro há que conhecer as experiências de outros artistas. No nosso caso, há que pesquisar e ler muitos blogs, estudar as suas estratégias e, principalmente, o comportamento dos seus seguidores perante essas estratégias.

Esses blogs a pesquisar não têm que ser dentro do âmbito que desejas explorar, porque a verdadeira riqueza e valor de um blog é a originalidade e a capacidade de ver oportunidades em todas as experiências. 



No entanto, há que definir as principais áreas sobre as quais vais escrever para que o teu blog possa ser encontrado pelos motores de busca como o Google. Por isso aqui vos deixo algumas dicas sobre como encontrar essas áreas de interesse:

1# - Escreve sobre aquilo que te apaixona
Para que um blog reúna uma comunidade de leitores de tamanho razoável pode demorar vários meses. Por isso é tão importante que escrevas sempre sobre aquilo que realmente te apaixona. Tens que parar uns minutos, pegar numa folha de papel e começar a escrever aqueles temas que mais te atraem. Leva esse papel contigo sempre saias, nunca se sabe quando algumas ideias interessantes podem surgir.


2# - Identifica as tuas áreas de conhecimento
Quando tiveres uma folha cheia de palavras chave sobre as áreas que mais gostas possivelmente vais ficar ainda mais confuso. Por isso, numa folha aparte deves definir as tuas áreas de conhecimento.
Este exercício requer também alguma introspecção. Tens que avaliar a tua vida e identificar os conhecimentos, académicos e pessoais, que foste obtendo ao longo do teu caminho. Deves também valorá-los de 1 a 10 (sendo 10 nível máximo de conhecimento sobre essa área). Alguns exemplos de áreas de conhecimento:
  • educação de jovens ou adultos,
  • cuidar de jardins,
  • história da literatura,
  • algum desporto,
  • viagens,
  • fotografias,
  • etc.
Construir esta lista implica também uma boa dose de humildade, na medida em que deves estar consciente que é quase impossível conhecer tudo sobre um assunto e reconhecer que há bastantes pessoas neste mundo que sabem mais do que tu.

Por exemplo, eu neste momento não tenho a credibilidade para dar conselhos sobre saúde (a não ser que cite algum estudo feito por especialistas ou que tenha consultado algum especialista sobre a matéria - o que acontece no jornalismo). Mas posso fazer recomendações sobre o que visitar em Madrid, porque vivo aqui desde Outubro de 2009.


3# - Um blog como uma oportunidade para aprender
Não és uma pessoa estática, és um ser humano em construção, seja qual for a tua idade, situação profissional ou financeira. E que tem isto a ver com manter um blog pessoal? TUDO!

Como podes ver na minha página de apresentação eu prometo falar de competências que ainda não são da minha área de conhecimento. O que quer isto dizer? Quer dizer não só deves tratar de assuntos que conheces neste preciso momento. Deves aproveitar o teu blog com uma oportunidade de aprendizagem!

E há medida que vais expandindo os teus conhecimentos e experiências podes contar em primeira pessoa as lições que foste aprendendo. Isto dá vida e movimento ao teu blog e manter-te-á motivado na procura de novos temas.



Há medida que vais acumulando mais experiência verás que vais encontrar temas interessante para escrever em todos os lados: numa aula, num passeio, num filme, num programa de televisão, numa conversa com amigos, nas conversas alheias... Isto porque vais, como o pintor, aprendendo a observar a realidade. No entanto, convém ter sempre um papel à mão onde podes deixar as tuas ideias, porque a tua memória é falível.

Como sempre, receio ter passado dos limites recomendados, mas espero que os conselhos que aqui vos deixo sejam úteis. As vossas sugestões e ideias são bem-vindas (como sempre)!
Até breve
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6 blogs que nos ensinam sobre blogs

Ontem escrevi sobre editoras que trabalham com a filosofia do print-on-demand, uma estratégia que envolve pouco risco para ambas as partes (autor e editores). No entanto, estou bem ciente da pouca eficácia deste tipo de estratégia e sei-o por várias razões:
  • fazer compras por internet é um hábito que ainda não está enraizado na cultura portuguesa;
  • normalmente evitamos conteúdos cujo autor não é conhecido;
  • porque os hábitos de leitura estão em declínio, principalmente nas camadas mais jovens (que são as que mais usam a internet);
  • porque estas editoras restringem as campanhas publicitárias quase exclusivamente ao seu próprio site;
  • e porque as obras editadas não aparecem nas grandes superfícies comerciais.
Podia continuar a lista durante um tempo indefinido, no entanto, acredito que os problemas mais importantes que enfrentamos actualmente são de origem cultural e derivam do desconhecimento. Por isso, para todos os novos autores a minha primeira recomendação é:

Criar um blog
Lógico, não? Mas não falo em criar um blog de maneira convencional, porque actualmente, quer queiramos quer não, a arte dificilmente vende por si mesma, especialmente se essa arte se baseia em palavras. As palavras são uma forma de arte "lenta" (pelo menos na minha opinião) e o prazer que tiramos da sua leitura não é imediato.

No entanto, os blogs continuam a ser óptimas ferramentas, revividos pelas novas estratégias de marketing que visam "vender" aos seus clientes os chamados intangíveis, ou seja, propriedades que não têm preço.

Um exemplo claro do que estou a falar é o caso da Gallina Blanca (eu sei que não tem nada a ver, mas acreditem que esta reflexão tem um objectivo). Esta empresa que comercializa caldos e pastilhas para cozinhar consegue uma multidão de fãs porque na sua página, em vez de fazer simples publicidade aos seus produtos, oferece, de forma gratuita (eu sei que é uma redundância) aos seus visitantes dicas, receitas e muito mais.

Onde quero chegar com isto? Saber escrever é algo que vem com muito trabalho e dedicação, que a maior parte das vezes não é recompensado. Por isso, antes de começares a vender o teu livro (que no fundo é o teu produto) convém que as pessoas já tenham ouvido falar do teu nome, ou seja, que conheçam a tua marca. Não é um trabalho fácil, exige tempo, dedicação, mas exige sobretudo motivação e vontade de partilhar experiências e conhecimentos.

É nesta partilha dos conhecimentos que adquirimos, tanto no processo da escrita como na fase de investigação para as nossas obras que podemos ser úteis aos outros. São cada vez mais as pessoas usam a internet para se informar e para se formar. Há que aproveitar esta procura para aparecer e para gerar conteúdo interessante.

Com tempo podemos tornar-nos numa referência por fornecer respostas e resolver problemas, e com isso, vender a nossa obra será uma tarefa mais fácil. Não tanto pela nossa evolução a nível da qualidade da escrita (pessoalmente penso que manter um blog também ajuda muito os que aspiram tornar-se escritores) mas porque construímos uma reputação e uma relação de confiança com os nossos leitores.

Mas antes de meter as mãos na massa há um passo essencial por concluir: ESTUDAR!
Sim, leram bem, é preciso estudar. Por isso mesmo deixo aqui uma lista dos sites que mais me ajudaram a perceber e a tirar melhor partido do meu blog:

#1 - Escola de Ganhar Dinheiro
Excelente site com imensas dicas e tutoriais fáceis de entender, com conteúdos de muito boa qualidade. É acessível mesmo para quem não entende de blogs ou programação em internet. Ainda que seja mais dirigido aos que querem ganhar dinheiro com os seus blogs, as dicas são perfeitamente úteis para quem aspira a ter uma página com muitas visitas e muita interacção com os leitores. O melhor de tudo é que é um projecto em português!

#2 - Ferramentas Blog
Excelente blog com muitas dicas e um especial destaque para os explicativos e informativos tutoriais que, passo a passo nos ajudam a construir um blog de grande qualidade. Pessoalmente foi um dos primeiros que encontrei e ajudou-me a definir o meu rumo no vasto mundo da blogosfera. É um blog brasileiro e um excelente exemplo (assim como os outros dois que aparecem mais abaixo nesta lista) da grande qualidade da blogosfera deste país!

#3 - Social Media Examiner
As dicas e artigos são mais dirigidos a empresários, no entanto, creio que são igualmente válidos para aqueles que querem saber como melhor gerir um blog. Está em inglês, mas está escrito de uma forma bastante leve, sendo uma leitura amena e de fácil compreensão.

#4 - Dicas Blogger
Mais um blog de dicas, desta vez dedicando-se ao Blogger com mais profundidade (que é o que eu uso!). Excelente secção de primeiros passos com tutoriais fáceis de interpretar.


#5 - ProBlogger
Interessante blog em inglês com bons artigos que nos ajudam a desenvolver as nossas capacidades enquanto blogueiros. Basta pesquisar: "blogs for beginners" ou "tutorials" e começar a aplicar as dicas.



#6 - iceBreaker
A única razão pela qual pus esta página em último foi pelo facto de ainda não ter tido tempo de a explorar devidamente. Possui interessantes dicas para Blogger e Twitter e Software útil para internet.


Construí esta lista de acordo com critérios pessoais, por isso não posso esperar que todos estejam de acordo comigo. Num próximo post gostaria de falar sobre como tratar os conteúdos de um blog e como saber sobre que assunto devemos escrever.
Mas para já gostaria de saber a vossa opinião: os sites que recomendo parecem-vos úteis? conhecem outros lugares a visitar?

Espero os vossos comentários.
Até breve...
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4 editoras para novos autores

Dedico este artigo aos portugueses aspirantes a escritores (como eu!!) que esperam por uma oportunidade para publicar os seus trabalhos.


Escrevi um livro, e agora?


Quando comecei a investigar sobre este tema apercebi-me da imensidão desta comunidade, tanto em Portugal como para além das nossas fronteiras, e espantou-me a falta de oportunidades e as dificuldades que um autor passa para encontrar um editor disposto a publicar.


Ao tentar perceber a razão lembrei-me das palavras de um professor meu: há dois tipos de empresas, as líder, que inovam e arriscam e aquelas que preferem jogar pelo seguro, apenas copiando métodos e estratégias que tenham sucesso noutras empresas ou mesmo noutros países, assegurando o seu lucro.

Mencionei isto porque, as grandes editoras são, antes de tudo, grandes empresas e, principalmente em tempos de crise, inovar está fora de questão. Por isso, para todos os escritores desconhecidos pelo público em geral, que não pertençam a nenhuma família influente na nossa sociedade, publicar é uma missão quase impossível.

A internet e as novas tecnologias da informação, mais que mudar alguns modelos de negócios, provaram ser o nicho perfeito para o crescimento de novos e inovadores serviços. E ainda que Portugal tenha apenas copiado este tipo de empresa doutros países, não posso deixar de dar os meus parabéns aos empresários que se atreveram a dar uma oportunidade aos escritores principiantes.

Estas editoras oferecem os seus serviços através das suas páginas web. Ajudando também o autor principiante em todos os passos da publicação, desde a obtenção do código ISBN até ao processo de edição. Raramente se recusam a publicar alguma obra, basta que o autor envie o pdf e escolha a modalidade de negócio. É um tipo de publicação sem grandes riscos ou investimentos, uma vez que usam a estratégia de print-on-demand. O que significa que só se imprime uma cópia do livro quando esta é solicitada pelos compradores.

Abaixo apresento uma lista dessas editoras que têm mais relevo em Portugal.



Criada em Dezembro de 2007 e liderada por Angel María Herrera Burguillo. Definem-se como uma ferramenta de ajuda ao autor adaptada aos novos tempos.



Criada em 2008 vende não só livros de autores conhecidos como apoia os novos talentos portugueses na escrita.


Sítio do Livro

Criada em Abril de 2009 e liderada por António Arriaga. Uma empresa familiar que promete apoiar o crescimento de novos autores portugueses.



Lulu.com

Uma comunidade internacional fundada por Bob Young. Aqui a promoção das obras é mais dependente do próprio autor. Mas é a opção ideal para quem aspira passar além fronteiras.





Contudo, ainda é difícil ganhar algum dinheiro ou reconhecimento com este tipo de editoras. Muitos dos autores que usam este canal confessam-se descontentes pela falta de publicidade. No entanto quero aqui deixar uma ideia para um próximo post: com todas as ferramentas e redes sociais gratuitas que há disposição de qualquer um tornou-se mais fácil promover as nossas obras.

Espero em breve ser capaz de desenvolver todas as ideias e teorias que tenho sobre o uso da internet para promover a nossa própria imagem.

Quanto ao tema de hoje aguardo sugestões e críticas, porque só com diálogo é que terei a oportunidade de melhorar.

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Momentos nesta vida

Há momentos na vida em que a realidade nos atinge em cheio e não deixa espaço para queixas e argumentos. São momentos em que percebemos que forma como vivemos a nossa vida é simplesmente errada ou incompleta. São momentos em que a vida passa diante dos nossos olhos e nos damos conta de todos os comportamentos e pensamentos errados que fomos repetindo, quase sem nos apercebermos.
Até este momento sempre encarei as más decisões que tomei como sítios de passagem, como grandes salas de espera. Nunca pensei em fazer nada mais do que aquilo que tinha planeado ao princípio da viagem, nem nunca me ocorreu fazer nada mais do que esperar pela minha próxima oportunidade. Mas todo este tempo à espera fez-me perceber que não basta agarrar as oportunidades, há que saber aproveitá-las, mesmo que tenhamos que percorrer caminhos que nunca antes percorremos ou fazer coisas que nunca antes fizemos.




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Novos planos e novos caminhos

Cuidar de um blog assemelha-se muito a cuidar de um animal de estimação. Temos que alimentá-lo periodicamente com alimentos nutritivos, dar-lhe atenção, vigiá-lo e mudar o cenário de vez em quando.

Nos últimos meses não tenho cuidado bem deste blog, não tanto pela falta de tempo, mas mais por uma falta de criatividade e por um excesso de confusão.É verdade que mais um ano lectivo chega ao final e não ter qualquer plano fantástico e fora de série para o meu próximo ano é algo que me deixa desorientada. Sempre fui do tipo de pessoas que faz planos para tudo e, apesar de algumas pessoas pensarem que isso diminui a espontaneidade da vida, eu acredito que, pelo contrário, me estimula a buscar aventuras. Caso contrário duvido que fosse capaz de lutar contra a minha própria inércia.

A minha mente tem trabalhado furiosamente nos últimos tempos, buscando caminhos e inventando sonhos e depois de tanto tempo nessas divagações sinto-me cansada. E agora percebi que tinha deixado escapar uma coisa essencial: é impossível descobrir algo que goste se não reservo um tempo para ir simplesmente experimentando! Eu sei, que pensamento tão básico, mas demorei todo este tempo a compreendê-lo. Sempre achei que experimentar nesta vida era uma perda de tempo que não levaria a lado algum, mas para uma pessoa como eu, que tem imensos e díspares interesses, essa parece-me ser a melhor solução. Pode ser que aumente ainda mais o meu estado de confusão, mas deixar essa oportunidade passar certamente fará que daqui a uns anos eu me questione: "e se eu tivesse ido por este caminho?" e viver com essas dúvidas pode ser angustiante.

Se calhar foi com essa sensação de que não posso deixar escapar as boas oportunidades da vida que comprei, no passado sábado o meu novo animal de estimação. Sabia que as pessoas iam ficar surpreendidas mas nunca poderia prever as reacções que me esperavam, alguns trataram-me como se eu tivesse cometido um crime e outros ficaram a pensar que um derrame tinha danificado permanentemente o meu cérebro. Mas toda esta aventura fez-me perceber que verdadeiramente o que assusta as pessoas não é o animal em questão mas o facto de estarem a enfrentar o desconhecido ou, neste caso, histórias e mitos exagerados. Também percebi que há medida que vamos crescendo e assumindo e trabalhando a nossa identidade menor são as probabilidades de sermos aceites e compreendidos pelas pessoas que nos rodeiam. Por isso há que ser forte e aceitar aquilo que somos antes de qualquer outra coisa :)

Aqui fica uma foto da lyra, o meu novo animal de estimação, é uma cobra rei da florida com 31cm e é um dos animais mais pachorrentos que já tive...
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O início da recta final

Nem acredito que chegamos a meio de Maio, sinto como se tivesse dormido todos estes meses desde que cheguei a Madrid. Falta cerca de um mês e meio para acabar o meu mestrado em jornalismo e comunicação e só lamento não ter dedicado mais tempo a este blog, acho que me cansei de escrever sobre mim e sobre a minha vida.
O mestrado não é aquilo que eu tinha imaginado. E depois de ter ponderado tanto se devia dar ou não este passo parece-me estranho que as coisas não tenham sido como eu imaginei. Ser estrangeira (mesmo num país tão próximo) fez-me abrir os olhos a muitas coisas. As dificuldades existem: da língua, da cultura, de aceitação. São barreiras que às vezes me parecem demasiado imensas e contra as quais dificilmente se pode lutar.
Mas o que me custou mais perceber (e ainda estou a digerir) é o enorme peso que as nossas decisões têm nas nossas vidas. Depois de ter passado tanto tempo aqui por escolha própria começo a acreditar firmemente que não há destino e ao início isso pareceu-me aterrador. Pensar que estamos predestinados a algo quase que nos isenta das responsabilidades, porque as coisas acontecerão de qualquer das formas, ou pelo menos era assim que eu pensava.
Estar em Madrid a viver sozinha com as consequências das minhas decisões ensinou-me que esta vida é minha e o que importa realmente é o que eu decido fazer com ela. Percebi também que ninguém me vai dizer que caminho é o correcto, e mesmo que diga, esse caminho seguramente não será o correcto para mim. Por isso nas últimas semanas, enquanto me debato com trabalhos que não me preenchem, comecei a perceber a verdadeira importância de seguir os meus sonhos... mesmo que agora sinta que não vale a pena.



A música chama-se "The call" de Regina Spektor e acho que está em sintonia com o meu estado de espírito neste momento. Já que decidi dedicar o meu tempo livre a perceber os meus sonhos espero ter um dia a coragem de partilhar alguns deles neste blog, já é o momento de perder esse receio...
Terão notícias minhas em breve :)
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A limonada

Escurece depressa depois de um dia tão lindo, já fui até obrigada a acender da luz da mesinha de cabeceira, porque começa a ser uma tarefa difícil ver as teclas. Ao meu lado estão duas garrafas de água cheias de limonada alcalina, uma mistura horrorosa que tenho que beber hoje a partir do momento em que a médica me disse que tenho gastroenterite aguda.

Ainda vi e sentir o calor do sol quando tive que me arrastar até ao centro de saúde e até às comprar para trazer tudo o necessário para me curar. Sinto como se estivesse numa montanha russa, num momento estou bem e com vontade de fazer dezenas de coisas, e minutos depois parece que esse momento não aconteceu enquanto me arrasto para a cama agarrada à barriga. Uma autêntica ressaca sem bebedeira.

Por isso o dia me pareceu tão estranho, são os efeito em quem fica verdadeiramente doente numa segunda-feira. O timing não podia ser melhor, de facto, é uma espécie de aperitivo as férias da Páscoa que tardam em fazer a sua aparição. Isto, se esquecermos por momentos as dores horríveis e a espera no centro de saúde, a médica a pressionar a minha barriga até as lágrimas me saltarem dos olhos e a o regresso a casa carregada com os asquerosos limões (nem falemos em como me custou espremer-los).

Mas não me posso queixar muito, afinal de contas faltei às aulas numa segunda, para ficar em casa a beber limonada e a desfrutar do bom tempo.

No entanto, foi uma excepção este dia, porque este último mês mais parece o circo dos horrores. E ainda estou a digerir a enormidade dos egos que fui conhecendo.
Professores que gozam com as nossas capacidades só para se sentirem superiores foi a saudação de cada dia. A desculpa é sempre que a profissão (jornalismo= é muito dura (pergunto-me que profissão não o será), que os jornalistas são mais precisos que nunca para dar voz ao povo (claro, se primeiro mudarem a mentalidade e comportamento), que se deve bajular os nossos chefes e estar preparados para passar fome porque a crise é aterradora.

Mas neste momento o que me parece mais aterrador é mesmo a maneira como nos tratam. Concordo na necessidade de nos alertar para a realidade da profissão, mas daí a aplicar esses comportamentos em aula só vai causar uma coisa: a dureza do meio na vai mudar se fizerem lavagem cerebral aos futuros informadores.

Mais que criticar até ao mais ínfimo detalhe defendo que se deve adoptar a estratégia de motivar os alunos. Senão não há optimismo e determinação que lhe resista.
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